Jovane Nunes para o Correio Braziliense

No último domingo, assisti a um documentário na ESPN que me emocionou e que recomendo muito. Trata-se de O Anúncio, filme que conta a história da luta de Magic Johnson, um dos maiores atletas de todos os tempos, contra a Aids. Em outubro de 1991, Magic preparava-se para mais um campeonato da NBA, a liga de basquete americano, quando, no exame para fazer um seguro da temporada, descobriu que era portador do vírus HIV.

Em 1991, receber um diagnóstico de portador do vírus da Aids era o mesmo que receber uma sentença de morte. Magic, quando soube da notícia, foi para casa como um morto-vivo, envergonhado, contar o fim do mundo à sua esposa, que estava grávida. Ambos fizeram novos exames e, durante 10 dias — que pareceram 100 —, eles esperaram os resultados. A primeira vitória de Magic contra sua morte iminente veio com o resultado dos testes. Sua esposa, Cookie, não tinha o vírus, seu filho nasceria sem ser portador.

Ao saber disso, Magic Johnson reuniu seus colegas do Los Angeles Lakers no vestiário e contou-lhes tudo. Fez o mesmo numa coletiva de imprensa. Ali, frente aos microfones do mundo, Magic, amedrontado, anunciou a aposentadoria. Disse que tinha o vírus, mas que iria lutar contra ele e derrotá-lo.

Como a vida é interessante. Numa hora dessas o ditado “Deus escreve certo por linhas tortas” faz todo o sentido. A tragédia de Magic Johnson foi uma benção para todos nós. Ele tornou-se o rosto que a Aids precisava ter. Naquela hora, o mundo viu que um ídolo tinha HIV, que um hétero tinha HIV. Vale lembrar que, à época, a Aids crescia cercada por ignorância, medo, preconceito e desdém. Muitos diziam tolices cruéis, como a de que aquela doença havia sido mandada por Deus para limpar o mundo dos gays e depravados.

No começo da década de 1990, Magic começou sua luta contra a homofobia, a desinformação e o vírus que se alastrava pelo mundo. Num programa de tevê, uma menininha de 7 anos, portadora do vírus HIV, que de depravada não tinha nada, disse, chorando, que a única coisa que ela queria era que todos a tratassem como uma pessoa normal. Aquela criança salvou a vida de Magic Johnson e de tantos outros. Magic, emocionado, segurou a mão da menininha e disse “você não precisa chorar, nós somos pessoas normais”.

Magic foi às ruas, mobilizou a mídia, arrecadou dinheiro para pesquisas e pediu ao presidente dos Estados Unidos que lutasse contra a Aids. Logo depois, rompeu com George Bush Pai, que só queria saber da guerra do Golfo. Magic Johnson seguia uma rotina de ginástica e alimentação balanceada, à época, os únicos remédios contra o vírus. Treinava sozinho e começava a ficar triste, sentia falta dos jogos e dos amigos. Pat Riley, o maior treinador de basquete de todos os tempos, ligou para Magic e disse “traga o seu material e venha treinar comigo”.

Magic estava suado depois do treino, Pat lhe deu um forte e longo abraço provando que abraço não transmite Aids. Pat Riley salvou a vida de Magic Johnson e de tantos outros. Magic voltou a jogar e foi campeão olímpico com o Dream Team em 1992. As pesquisas continuaram, os cientistas criaram o AZT e o coquetel antiaids. Os cientistas salvaram a vida de Magic Johnson e de tantos outros. Magic e outros heróis continuam lutando contra a Aids, inclusive a menininha que chorou na TV. Ela está viva, tem 27 anos e leva uma vida normal. O seu nome é Hydeia Broadbent.

Fazer login com suas credenciais

Esqueceu sua senha?