Sábado, o Grêmio inaugura uma nova fase em sua longa história. Abrirá as portas do seu novo e moderníssimo estádio para a torcida e para um futuro que, com certeza, será cheio de glórias. Não tenho dúvidas que em cinco anos o Grêmio será o clube mais poderoso do futebol brasileiro. A arena, bem localizada, perto do aeroporto de Porto Alegre, será para o tricolor gaúcho uma fábrica de dinheiro. São 60 mil lugares que estarão sempre ocupados. O Grêmio vai faturar com shows, lojas, restaurantes e, principalmente, os seus jogos.

Na despedida do antigo estádio, o Olímpico, o que não faltou foram lágrimas que desceram pelos rostos sempre lindos das gaúchas e até pelas mais tradicionais e atávicas barbas dos gaúchos. Lágrimas de alegria, saudade e orgulho. Orgulho talvez seja a palavra mais adequada para expressar o sentimento daquela união de pessoas, naquele ritual. Incrível como o futebol nos faz cívicos. Celebrou-se ali as tradições que passam de pais para filhos, a irmandade tricolor, a família gremista, o amor pelo Rio Grande do Sul. Houve uma liturgia, metade do Rio grande referenciou o antigo palco como se fosse um altar, uma catedral. Até quem não é gremista, como eu, se emocionou, menos os colorados, céticos e contentes por não perderem o último e histórico jogo no velho estádio. Quando o juiz apitou o fim do Olímpico, nenhum tricolor arredou o pé. Mulheres, crianças e homens fizeram a última avalanche nas velhas arquibancadas e ficaram ali esperando o sinal de Moisés para que partissem em caminhada pelas ruas de Porto Alegre até a terra prometida, o novo estádio. Um deles gritou “até a pé nós iremos”. E foram.

De volta ao passado

Quando Felipão foi chamado pela primeira vez para comandar a Seleção, ele representava o novo. Fazia uma grande campanha pelo Cruzeiro, era pedido pela imprensa e torcida. Entrou para salvar um time em crise e conseguiu. Hoje, é chamado pela segunda vez. Agora, representa o velho e vem de uma campanha que resultou o rebaixamento do Palmeiras. Pode ser que ganhe todos os jogos daqui para frente, mas, vendo as suas últimas partidas, o mais provável é que as perca.

Perdemos a chance de dar um passo à frente. Deveríamos ter chamado o Guardiola, ex-técnico do Barcelona. O Barça é o que de melhor há no futebol de hoje. O sujeito que toma conta da CBF, José Maria Marin ou “Zé das Medalhas”, disse que não precisamos de estrangeiros. Ora, tudo que precisamos é de um gringo que nos ensine a tocar a bola, que nos ensine a reclamar menos do juiz, que nos ensine a não fingir faltas e pênaltis. Precisamos urgentemente de um estrangeiro que nos faça esquecer esse maldito “jeitinho brasileiro”.

Para piorar, Felipão disse, em sua primeira entrevista, que os funcionários do Banco do Brasil não trabalham. Minha irmã trabalhou no BB, vivia estressada, não dormia nem comia direito por conta do tanto de trabalho e responsabilidades. Certo dia, uns assaltantes entraram na agência, mataram o vigia e colocaram uma arma na cabeça dela. Levaram todo o dinheiro e ficou por isso mesmo. No outro dia, ela estava lá trabalhando de novo. Nas poucas horas vagas que tinha, estudava. Graças ao seu esforço, passou no concurso do MPU e saiu do banco. O marido dela continua lá, lutando todos os dias para que o Banco do Brasil e o país prosperem. Felipão não deveria ser técnico da Seleção. Minha irmã, ex-caixa da agência central de Taguatinga, é que deveria ser.

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